O que é Espiritualidade e Religiosidade? Como diferencia-las?

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Em nosso post de hoje iremos discutir sobre as seguintes questões: a religiosidade e a espiritualidade são a mesma coisa? Como diferenciá-las? Dessa forma, iremos definir o que é a religião e a religiosidade, uma vez que possuem características específicas.

Além disso, também iremos esclarecer se nós tendemos a pensar nesses dois campos como mecanismos isolados. A pauta de hoje foi escolhida porque temos identificado que nos últimos anos diversos estudos que destacam a importância e a influência da religiosidade e da espiritualidade nos mais diversos contextos têm sido publicados.

Contudo, estudos que focam na espiritualidade não necessariamente abordam a temática da religião. Posto isso, esses serão os pontos principais que iremos abordar nesta discussão.

O crescimento dos cursos de Ciências da Religião

A ampla oferta e procura por cursos de Ciências da Religião fez com que mais pessoas fossem emancipadas a partir desse conhecimento. Os estudiosos desde então têm se preocupado com os aspectos antropológicos, psicológicos, históricos, culturais e até mesmo políticos que fizeram com que as religiões surgissem e se mantivessem intactas até os dias de hoje.

Em que esses cientistas investigam como as religiões funcionam e, além disso, como influenciam e impactam o mundo contemporâneo, de modo que a interpretação do que é a religião por parte das Ciências da Religião não é a mesma de outros campos do conhecimento.

Contudo, uma outra vertente tem focado apenas nos aspectos que perpassam pelo campo da espiritualidade.

Nesse sentido, ao longo deste post, temos como objetivo abordar sobre esses dois conceitos fundamentais (religião e espiritualidade), a começar pela conceituação do que vem a ser religião e os seus principais pontos caracterizadores. Vamos conferir!

Como podemos definir a religião?

A religião nada mais é do que uma organização, em que cada uma delas é composta por suas próprias doutrinas, ideologias, dogmas, e regras a serem seguidas pelos fiéis. São esses dogmas que fazem com que esse espaço seja organizado em termos administrativos de uma certa forma.

Nesse contexto, na maioria das vezes, as ideologias defendidas por essas instituições são baseadas em interpretações. De modo que, um mesmo texto religioso pode ser interpretado e compreendido de formas muito distintas a depender da instituição frequentada.

Como podemos definir a religião

No entanto, é válido destacar que o nosso objetivo aqui não é o de focar tanto nessas questões hermenêuticas quanto à religião, mas sim nas diferenças entre ela e a espiritualidade.

O nosso intuito aqui é que você compreenda que a religião nada mais é do que a instituição na qual uma dada fé pode ser praticada.

Nesse sentido, os estudiosos entendem que uma religião é praticada a partir do momento em que um grupo de indivíduos se reúne para um determinado fim. Assim, esse fim que faz com que essas pessoas se reúnam pode assumir um caráter quase que divino para os envolvidos.

As ideologias da religião

Quando o assunto é religião, devemos ressaltar que muitas pessoas acabam se perdendo no momento em que tentam compreender mais a fundo como ela funciona e qual é a sua finalidade, de forma que acabam acreditando que a religiosidade é o motivo e o objetivo final daqueles que acreditam e escolhem frequentar esses espaços onde a fé pode ser praticada.

Desse modo, quando esses indivíduos começam a frequentar uma dada instituição passam a incorporar e mesmo a colocar em prática as ideologias, dogmas e regras daquela religião, isto é, do espaço físico onde praticam esta fé, as quais, muitas das vezes não estão ligadas ao campo da espiritualidade.

Seguir as regras e ideologias daquele espaço faz com que os praticantes se sintam pertencentes daquele espaço físico específico (igreja, por exemplo).

Entretanto, o que costuma acontecer nesse processo é que a pessoa está tão preocupada em pertencer a uma determinada religião que deixa de buscar pela espiritualidade e passa a viver em prol somente da religiosidade, ou seja, passa a viver à mercê tão somente das ideologias e regras daquela instituição.

O propósito para frequentar aquele espaço específico acaba sendo algo secundário (quando deveria ser o motivo-fim para fortalecer ainda mais a sua fé). Diante desse cenário, podemos pensar um pouco no perfil das pessoas que estão frustradas com questões de ordem religiosa.

A frustração em detrimento da religião (religiosidade)

Diversas pessoas que procuram por nós queixam-se de algumas questões específicas concernentes ao campo da religião. Temos percebido que esses sujeitos têm recaído em um profundo vazio existencial em virtude do fato de que buscam por uma aprovação constante por parte da instituição que frequentam.

Dessa forma, a fim de que se sintam partes integrantes daquele grupo social, precisam se sentir pertencentes, o que gera frustração.

Muitos, ainda, estão muito preocupados com o seguimento dessas regras e ideologias que acabam deixando se importar ou até mesmo de buscar as questões ligadas ao campo da espiritualidade.

Nesse sentido, muitas pessoas, frustradas com a instituição, acabam pregando e propagando ideias com as quais sequer se identificam ou acreditam. Isto ocorre porque são sujeitos que se encontram presos naqueles pontos que perpassam tão somente pelo campo da religião e não da espiritualidade.

Como a ciência entende o campo da espiritualidade?

A ciência atribui certas características ao campo da espiritualidade. São esses aspectos que distanciam essa esfera da religião propriamente dita, embora o ideal seja a harmonia entre os dois campos. Dentre esses elementos caracterizadores, os cientistas a definem como algo transcendente e imanente ao ser humano.

É algo que caminha para muito além do que a religião por si só pode oferecer.

A espiritualidade, portanto, não advém de normas, dogmas e doutrinas, mas sim da própria alma e da compreensão. É a espiritualidade que faz com que uma pessoa seja capaz de buscar por estratégias que prezam pelo fortalecimento da fé.

É um campo que não se preocupa com a determinação de regras. A sua abrangência é muito mais ampla. A espiritualidade não é algo que pode ser definido, visto que ela é única para cada pessoa que a pratica.

A espiritualidade depende da religião?

Não. Você pode fortalecer a sua espiritualidade sem estar ligado a uma religião (enquanto instituição). Contudo, algumas pessoas precisam se sentir pertencentes a uma instituição para que consigam praticar esta espiritualidade, porém, diversas pessoas conseguem fortalecer a sua fé sem estarem ligadas a qualquer instituição física, material.

Entretanto, esta é uma questão que sempre será relativa para cada indivíduo, uma vez que a sensação de pertencer a algo para muitos ainda é algo decisivo. Não cabe a nós julgarmos tais escolhas.

Cada pessoa busca por aquilo que não é material de uma forma muito particular, individual. O respeito às diversas divindades, ao universo e ao cosmos se dá de uma forma muito específica para cada pessoa, uma vez que tudo depende da forma como esse indivíduo compreende e coloca em prática cada uma dessas questões fundamentais.

Posso pertencer à qualquer religião e ter qualquer fé?

Sim. Todos nós temos o direito de praticar qualquer religião e de acreditarmos em qualquer coisa. Não há regras para a fé. É a sua compreensão filosófica e espiritual que fará com que você tenha uma visão ampla da sua fé.

Não é a instituição que exercerá um papel significativo nesta abertura. Por esse motivo, a atuação da espiritualidade é sempre de ordem individual, uma vez que ela, quando trabalhada e aperfeiçoada, impulsiona o indivíduo a praticar a sua fé.

A espiritualidade, nesse sentido, é um mecanismo que faz com que criemos uma conexão com o plano imaterial, isto é, com o divino. A forma como essa conexão é feita varia de pessoa para pessoa, pois não há regras e dogmas envolvidos, como ocorre na religião.

Esta conexão é sempre com aquilo que acredita que é maior que você. É o conhecimento que fará com que haja uma ligação significativa entre você e aquilo que é grandioso.

O papel do conhecimento na religião

É o conhecimento e a sabedoria sobre o divino que fará com que você seja capaz de internalizar aquilo que a fé (e a sua prática) tem a oferecer.

É por esse motivo que esse campo nada mais é do que uma dimensão da própria alma, o que não ocorre com a religião, pois ela está ligada às questões materiais, sendo por esse motivo que dogmas e doutrinas são postos aos fiéis.

O papel do conhecimento na religião

A religiosidade sempre está ligada àquela compreensão terrena sobre o conhecimento divino e as questões que afetam os indivíduos deste planeta.

Dessa forma, apesar do conhecimento religiosos e do conhecimento espiritual possuírem suas particularidades, entendemos que o ideal é que a sua espiritualidade esteja em harmonia com as questões de ordem religiosa.

Com isso, queremos ressaltar que não estamos dizendo que existem pessoas que estão ligadas somente a espiritualidade ou somente a religiosidade, o nosso principal objetivo aqui é demonstrar que esses são dois campos diferentes, mas essenciais para algumas pessoas.

As influências religiosas e espirituais

Sabemos que existem pessoas que trabalham de uma forma muito significativa com as questões que perpassam pelo campo da espiritualidade, porém, não deixam de estar ligadas aos dogmas, doutrinas e regras de uma religião de sua preferência.

Por outro lado, existem aquelas pessoas que mesmo não estando ligadas a uma religião tem a sua fé fortalecida por meio do trabalho apenas com a espiritualidade. Contudo, também existem aquelas pessoas que se dedicam de forma intensa a uma dada religião, colocando-se à serviço, mas que não são pessoas espirituais.

Nesse contexto, é possível visualizar que a religião terrena tem a sua importância, sobretudo para alguns perfis de pessoas, porém, como temos demonstrado, você não precisa estar ligado a uma para que possa fortalecer a sua espiritualidade diariamente.

A religião é a ponte para a espiritualidade?

Para algumas pessoas, a dedicação a uma religião é a porta de entrada, isto é, a ponte para o fortalecimento das questões de ordem espiritual. Como frisamos, algumas pessoas apenas conseguem fortalecer a sua fé quando se sentem pertencentes a um espaço e é por esse motivo que frequentam uma instituição para tanto.

A religião é a ponte para a espiritualidade

Dessa forma, também reconhecemos que a religião pode atuar como uma ponte que interliga o plano terreno com o sagrado.

Em outras palavras, é um mecanismo que permite o estabelecimento de uma conexão com aqueles elementos inerentes à alma que precisam ser compreendidos.

No entanto, um dos pontos que distanciam o campo da espiritualidade do religioso é o fato de que a espiritualidade independe de uma organização para que possa ser manifestada, logo, dispensa o estabelecimento de regras, dogmas e doutrinas específicas.

Por que o debate sobre as diferenças entre os dois campos é importante?

Muitas pessoas não entendem esses pontos que levantamos ao longo de nossa conversa, uma vez que partem do pressuposto de que a espiritualidade apenas pode ser praticada a partir do momento em que o indivíduo se encontra dentro de uma instituição, o que é um mito, como demonstramos nesta conversa.

Também é preciso que tomemos cuidado com certos tipos de definições, pois muitos se afirmam como pessoas espiritualizadas, quando, na verdade, são apenas religiosas. Os estudos surgem para demonstrarem que nem sempre uma pessoa espiritual pratica uma religião. O mais importante é que você seja uma pessoa espiritualizada.

Essas pesquisas têm apontado alguns resultados interessantes que atribuem certos pontos de encontro e distanciamento entre os dois campos com os quais trabalhamos ao longo desta conversa.

A partir do momento em que nos tornamos pessoas mais espiritualizadas, conseguimos trabalhar com a nossa fé de uma forma muito mais natural e espontânea, uma vez que ela não está sendo imposta. Contudo, reconhecemos que certas pessoas sentem esta necessidade de frequentar o espaço religioso.

Se você se enquadra nesse perfil, busque em seu dia a dia a harmonia entre esses dois campos fundamentais. Cada pessoa precisa de um certo mecanismo para ativar a sua própria espiritualidade.

Desse modo, o mais importante é que você consiga descobrir aquilo que funciona para você e que, nesse processo, consiga se encontrar. Saiba que as pessoas que consideram sua espiritualidade são mais felizes e mais bem-sucedidas, pois conseguem traçar caminhos corretos para a sua vida, independentemente da sua religião.

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